sábado, 13 de junho de 2020

“Essa causa deve ser de todos”, diz Fábio Trad em debate sobre o racismo

Bate-papo com especialistas discutiu temas sobre “racismo à brasileira” e dificuldade das pessoas em assumirem-se racistas

Segundo o Mapa da Violência, um jovem negro tem 12 vezes mais chances de ser assassinado em relação a um branco. Ao todo, de acordo com o Mapa da Violência de 2017, um indivíduo negro morre a cada 23 minutos, 66 por dia e 4290 por ano. 

Em comum nestes homicídios está um forte componente de racismo, segundo a Organização das Nações Unidas.

Esse foi o tema da live promovida pelo deputado Fábio Trad (PSD/MS) em suas redes sociais nesta quinta-feira (12), que contou com as participações da professora de Psicologia, coordenadora do Núcleo de Estudos Afro-Brasileiros (UFMS), Thaize Reis; e da psicóloga, mestranda (UFMS) e cantora, Karô Castanha.

“Temos de ser militantes em prol da luta antirracista e agregar valor a essa causa não só com discurso, mas com ações. E que deve ser de todos, independente de cor, raça e etnia”, disse o parlamentar, que tem sido um fiel combatente da causa na Câmara dos Deputados.

O primeiro passo nessa luta, segundo Thaize, consiste nas pessoas brancas assumirem-se, em sua maioria, que são racistas. “Há um racismo à brasileira resultado de um preconceito histórico estrutural. As pessoas aprendem a ser racistas, repetem frases e atitudes racistas sem saber de onde isso veio. Assim como, numa sociedade patriarcal, aprendem a repetir comportamentos machistas. Não há, necessariamente, uma maldade aí. Atingir esse nível de consciência é o primeiro passo para a mudança”, disse a professora.
  
Karô ilustrou com dados a fala da colega. “Em recente pesquisa cerca de 90% dos brasileiros disseram que há racismo no país, porém os mesmos 90% negaram ter praticado, algum dia, fala ou ato de discriminação racial. Por essas e outras, não podemos tolerar qualquer ação ou piadinha pejorativa”.

A psicóloga também destacou a importância da iniciativa do deputado em abrir um canal em suas redes sociais para ampliar esse debate e cobrou a permanência e o fortalecimento das políticas de cotas raciais no parlamento brasileiro. Essas medidas consistem em reservas de vagas em instituições públicas ou privadas para grupos específicos classificados por etnias, na maioria das vezes, negros e indígenas.

Tripla discriminação
Outro tema discutido no bate-papo virtual foi o da mulher pobre e negra, que sofre triplamente no Brasil por questões de gênero, social e racial.

“As chefes de família são, em sua maioria, mulheres negras e pobres. Se você consegue melhorar a vida delas, imagine o reflexo social disso. Por isso que a militante negra Angela Davis diz que ‘quando a mulher negra se movimenta, toda a estrutura da sociedade se movimenta com ela” , completou a professora Thaize.

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