quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

Fábio Trad resiste a pressão e vota pelo afastamento de deputado envolvido em corrupção

Por 233 votos contra 170 o plenário da Câmara dos Deputados rejeitou, na noite desta quarta-feira (5), o afastamento do deputado Wilson Santiago (PTB/PB), determinado pelo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Celso de Mello.

Assim, o parlamentar pode voltar a exercer seu mandato apesar das denúncias de corrupção que envolvem seu nome em crimes de superfaturamento, peculato, lavagem de dinheiro, fraude licitatória e formação de organização criminosa.

O deputado Fábio Trad (PSD/MS) foi um dos votos vencidos e revelou indignação com o resultado da sessão que, segundo ele, macula a história do legislativo. “Votei no sentido de manter a decisão do ministro Celso de Mello porque eu estudei o processo, há inúmeras provas e posso dizer que as acusações contra o deputado são gravíssimas".

Pressão 
Ao longo de todo o dia, o deputado Trad sofreu forte pressão de lideranças do Centrão e do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), para assumir a relatoria da matéria.

Segundo fontes ouvidas pelo jornal O GLOBO, o parlamentar foi pressionado a elaborar parecer com a menção de uma “inconstitucionalidade” do ministro Celso de Mello.

“Fui à reunião com os líderes e apresentei meu ponto de vista no sentido de que a decisão do ministro Mello [de suspender o mandato do deputado acusado] era correta, tinha de ser mantida até posterior deliberação. A maioria dos líderes não concordou e por isso o presidente [Rodrigo Maia] nomeou um outro relator (deputado Marcelo Ramos, do PL-AM)”.

Pés de Barro 
O deputado Wilson Santiago é um dos investigados da operação Pés de Barro, da Polícia Federal, sobre superfaturamento em obras da adutora Capivara, no interior da Paraíba, que envolveriam crimes de peculato, lavagem de dinheiro, fraude licitatória e formação de organização criminosa.

Segundo a Polícia Federal, as obras foram contratadas por R$ 24,8 milhões e teria havido distribuição de propinas no valor de R$ 1,2 milhão. Na mesma operação, foi preso o prefeito de Uiraúna (PB), João Bosco Nonato Fernandes (PSDB).

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