segunda-feira, 25 de junho de 2018

O muro..., por Fábio Trad Filho

Não é difícil perceber certo nível de frieza humanitária em Donald Trump
Veio da “terra da liberdade” um exemplo de arbitrariedade que remonta tempos bárbaros de escravidão e de desprezo ao ser humano pela condição de raça em (des) razão de uma xenofobia desvairada que só pode estar a serviço dos que não tem coração.

Não é difícil perceber certo nível de frieza humanitária em Donald Trump, mas o bilionário norte americano superou toda expectativa quando decidiu implementar a novel “política de tolerância zero” para separar e encarcerar aos gritos de desespero, crianças de 02, 03, 04, enfim, com a mais tenra idade e inocência de seus pais e de suas mães.

Deve se dizer que, estes pais, não estão tentando melhor vida nos EUA por gosto e plena admiração ao modelo de vida norte americano, ao wellfare state, não estão deixando seus lares para conhecer a Disney ou conhecer o famoso hot-dog ianque. Estão largando suas casas, suas famílias, porque as raízes que têm apodrecem a cada ano, e isto ocorre, e muito, em decorrência do agressivo sistema econômico global em que os EUA, através do FED, é, aliás, o protagonista.

Esta política de nós x eles, promovida por D. Trump e sua assessoria política e de imprensa, remonta, para os que conhecem a história, evidentemente àquele que ostentava um bigode famoso, a diferença é que este promovia o ódio aos judeus, enquanto aquele, com seu topete loiro promove o ódio a todo e qualquer refugiado, que tente encontrar na terra da “liberdade” um recomeço. Que ironia.

Sempre me assustou, um país com a importância econômica e cultural (feliz ou infelizmente), como os EUA, ter como presidente alguém com a personalidade como a de Donald Trump, entretanto, observando a conjuntura política internacional, noto que ele faz parte de um contexto perigoso que a história cíclica fez renascer.
"Está na moda ser segregacionista, ufanista, xenófobo. Eu caminho na direção contrária."
Ora, se existem pessoas de terceiro mundo imigrando, ou tentando imigrar, para países de primeiro mundo, muito disto se deve ao fato de residirem em países falidos ou destruídos, pela economia mundial ou pelas bombas, ambas manejadas pelos que se dizem “a humanidade civilizada”.

E mais, quem está recebendo a maior parte dos refugiados no mundo nem de longe é os EUA, tampouco a Europa, quem mais recebeu refugiados e imigrantes foram a Turquia, o Paquistão e o Líbano, seguidos por Irã, Etiópia e Jordânia.

De forma que o argumento Trumpista de que deve “proteger seu país da invasão de criminosos cruéis e forasteiros” assemelha se à antiga fábula de destruir um país para lhe conferir “democracia americana”, em troca de alguns galões de petróleo, evidentemente.

Trump quer construir um muro, um muro em um país fundado com os princípios iluministas.

Estes dizeres que colacionarei estão gravados na estátua da liberdade. Está lá para quem quiser conferir, o poema “O Colosso” de Emma Lazarus:
[...] “Dai-me os seus fatigados, os seus pobres,

As suas massas encurraladas ansiosas por respirar liberdade

O miserável refugo das suas costas apinhadas.

Mandai-me os sem abrigo, os arremessados pelas tempestades,

Pois eu ergo o meu farol junto ao portal dourado.”
Construa o muro, D. Trump, cumpra sua megalomaníaca promessa, mas destrua a estátua da liberdade e construa o muro com os destroços, com as pedras, com os ossos, com o cadáver do que um dia possa ter sido a “terra da liberdade”.

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