quarta-feira, 6 de junho de 2018

"O monstro", por Fábio Trad Filho

É preciso parar de alimentá-lo, é preciso diminuir a polarização, é preciso frear os discursos de ódio. Já!
Há um monstro em nosso jardim! Ele cresce a velocidade sobre-humana, diariamente e somos nós os responsáveis pela sua alimentação.

A besta já se assanha e ameaça invadir nossos quartos, salas e banheiros.

Ele é filho da desigualdade e irmão do preconceito. É uma doença autoimune que acomete o sistema nervoso de nossa sociedade.

O monstro é a polarização que vem afligindo a sociedade brasileira e que se não for imediatamente enfrentado, nos arrancará de casa e nos destinará imediatamente para o Cemitério, mas se tivermos sorte iremos para a UTI. Enfim, destino melhor não restará.

Suas consequências são sentidas no cotidiano e refletem no campo social, sempre trazendo resultados agressivos e negativos: Pobres e Ricos, Pretos e Brancos, Coxinhas e Esquerdalhas, “Cidadãos de Bem” e Bandidos.

Acostumamos a classificar nossos concidadãos por estereótipos que nos colocam em uma conjuntura de hostilidade, o que é evidentemente danoso, pois não há desta forma a possibilidade de uma unificação de pensamentos que possa fazer bem à sociedade brasileira. Sim, estamos entre a cruz e a espada.

O morador da frente com um adesivo de um candidato de ultra-direita já não deseja mais bom dia ao vizinho por que sabe que ele apoia uma visão mais à esquerda do espectro ideológico. Que é isso, gente ? Estamos enlouquecendo?

Este monstro está se apoderando de nossa alma, como povo, na medida em que cresce.

Está destruindo nossa essência e sem ela se esvai o orgulho comum do brasileiro.

Assemelha-se a uma situação de guerra civil, velada, “ideológica”, mas continua a ser uma guerra e ao passo em que este ódio vai se internalizado no subconsciente de nosso povo, vamos caminhando em direção a um abismo profundo que nos dividirá e depois nos aniquilará.

Discursos de ódio, alimento preferido de nosso monstro de estimação, vêm apenas para engordar nossa desgraça e acelerar ainda mais nossa ruína.
Hoje, há quem o trate quase como um animal de estimação, mas é preciso cuidado, trata-se de uma besta, sem piedade, sem comiseração, há de se alimentar de tudo o que dermos a ele, e quando não tivermos mais nada, se virará contra nós.

Discursos e candidatos que proclamam o ódio só estão ajudando a fortalecer nosso algoz.

Já somos um povo sofrido, em sua grande maioria pobre, marginalizado, segregado, já temos cicatrizes demais e nosso corpo social não suportará mais uma profunda ferida.

Discursos de ódio e candidatos que o proclamam só vem para alimentar o monstro de nosso quintal, e ele tem dentes e garras fortes o suficiente para ceifar a já minguada esperança em nosso Brasil.

É preciso parar de alimentá-lo, é preciso diminuir a polarização, é preciso frear os discursos de ódio. Já!

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