sexta-feira, 15 de junho de 2018

A liberdade está sob ameaça dos insensatos

A contundente e oportuna defesa da liberdade de imprensa feita, em seminário recente, pela Presidente do Supremo Tribunal Federal, Ministra Cármen Lúcia, ao mesmo tempo em que reafirma, por voz autorizada, postulado essencial à democracia, nos adverte para uma questão preocupante: sempre que os sensatos precisam tratar com frequência de liberdade, seja ela de imprensa ou de qualquer outra natureza, é porque esta mesma liberdade está sob ameaça dos insensatos.

A propósito, a própria ministra Cármen Lúcia alertou para a necessidade de vigilância contra as diferentes formas de ameaça à liberdade de imprensa e ao direito à livre expressão do pensamento.

Ao lembrar que o Brasil ainda figura entre os países onde a profissão de jornalista é tantas vezes agredida e vilipendiada, a presidente do STF diz ser incompreensível que, aos trinta anos de vigência da Constituição, “esse tema ainda esteja em nossas agendas”.

“Mata-se muito jornalista no Brasil, atacam-se fisicamente jornalistas e suas famílias”, bradou, no mesmo seminário, o colega deputado Miro Teixeira. Jornalista de profissão, Miro Teixeira denunciou o constrangimento à atividade jornalística, configurado nos incontáveis pedidos de indenização por danos morais, impetrados por agentes públicos que se consideram injuriados por críticas da imprensa.

Levantamento do Conselho Nacional de Justiça aponta nada menos que 2.373 processos contra veículos de comunicação nos últimos vinte anos.

Esse número representa apenas 4,5% dos trezentos mil processos envolvendo o exercício do jornalismo! O que significa que a esmagadora maioria dos acionados judicialmente é formada por profissionais, muitos deles ameaçados por ações indenizatórias milionárias e flagrantemente intimidatórias.

Nestes tempos, quando as tais ‘fake news’ vicejam como praga ameaçadora à verdade essencial à informação, a imprensa livre e independente, o jornalismo exercido com liberdade e destemor, é o único e eficaz antídoto contra as manipulações e invectivas, perfidamente oferecidas como verdades aos muitos incautos.

Imprensa livre não é passaporte para uma espécie de jornalismo irresponsável que, descompromissado com as fontes, investe na calúnia e na mentira como alavancas comerciais para maior vendagem.

Entretanto, é preferível suportar os danos de uma imprensa audaciosamente imprudente a ter que conviver com um jornalismo mutilado, intimidado e ameaçado por sicários da livre informação.

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