segunda-feira, 5 de fevereiro de 2018

Ser ou não ser? Esta não é a questão!

Brasil vive um momento dual, simplificador e reducionista.

Sugiro que tenhamos mais temperança porque a vida não tem a exatidão previsível da matemática.

Na política, o dualismo nos levará à exclusão de alternativas pela falência do pensamento.

Volto a repetir: o debate político do Brasil está doente pela polarização que inibe a reflexão e esteriliza o terreno argumentativo.

Basta uma opinião para ser sentenciado irrecorrivelmente no tribunal da internet.

Não é assim que a vida funciona.

Não é porque se critica alguns excessos do Mercado que o sujeito já é comunista;

Não é porque se discorda de uma fala do Bolsonaro que o sujeito já é Lula;

Não é porque se aponta mazelas do sistema prisional que o sujeito já é a favor da impunidade;

Não é porque se elogia a ação de um Ministro que o sujeito já é governista;

Não é porque se discorda da condenação do Lula que o sujeito já é agente secreto do governo venezuelano;

Não é porque se advoga na área criminal que você já é favorável à impunidade;

Não é porque se critica o excesso de cenas de conteúdo sexual nas TVs que o sujeito é favorável à censura;

Não é porque se reconhece acertos em programas de redistribuição de renda que o sujeito já é contra a livre iniciativa;

Não é porque se compadece da situação de milhões de miseráveis sem renda, trabalho e oportunidades que o sujeito é contra o capitalismo;

Não é porque se admira um político de direita que o sujeito é contra algumas ideias de esquerda;

Não é porque se escreve artigos pensando ingenuamente estar contribuindo com o país que o sujeito já é um idiota porque ninguém está aí para o que se escreve.

Enfim, vamos ser menos julgadores dos outros e mais construtores de nós mesmos. Talvez assim, menos mimados e mais amadurecidos, poderemos enfrentar as verdades desta vida tão complexa e surpreendente.

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