domingo, 14 de janeiro de 2018

O que você faz com seu tempo?

As ações do Facebook caíram 3,54% nesta semana. Crise econômica? Demissão em massa? Escândalo de corrupção? Não, nada disso! A empresa apenas resolveu mudar a política de publicação de posts que, a partir de 2018, passa a privilegiar parentes e amigos em vez de marcas, companhias e empresas de comunicação.

Segundo palavras do próprio fundador, Mark Zuckerberg, a maior rede social do mundo quer ajudar as pessoas a se manterem conectadas e trazê-las para mais perto de quem realmente importa, fortalecendo e estreitando as relações que melhoram nosso bem-estar e felicidade.

Pra você há algum problema nisso? Para o mercado sim, com certeza! A “volta às origens”, como definiu Zuckerberg, fez o valor da empresa despencar financeiramente e alguns especialistas e artigos já sentenciam que o norte-americano acaba de dar um passo largo para a implosão do Facebook. Isto me fez pensar que talvez fosse interessante convidar você a refletir comigo sobre o TEMPO. Sim, porque o que está em jogo aí é como gastamos este que é o principal bem de consumo do Século 21: o tempo! Percebam que tudo gira em torno dele!

O criador do Facebook garante que os constantes anúncios e notícias muitas vezes roubam o tempo que passaríamos interagindo com as pessoas que amamos. Com as mudanças, os usuários ficariam menos tempo na rede, é verdade, mas por outro lado , seria um período mais bem aproveitado, prazeroso e significativo. Para o mercado, que só observa o lucro, quanto menos tempo (olha essa palavrinha aí de novo) no ‘Face’, menos dinheiro no cofre.

E aí eu me pergunto: que mundo é esse onde as relações humanas valem menos que as transações comerciais? Passamos da hora de refletirmos a respeito dos limites do capitalismo!

Vivemos a idolatria do consumo que nos emparedou na seguinte equação: ou a economia cresce ou acontece uma tragédia! A bolha econômica simplesmente explode! Para isso, criamos uma montanha de produtos supérfluos, compramos e descartamos coisas e até pessoas! Mas o que se gasta (no sentido de “perder”) de verdade nesse mundo é TEMPO DE VIDA, ou melhor, SENTIDO DE EXISTÊNCIA !

Explico: quando você compra algo, não paga (somente) com dinheiro, mas principalmente com o tempo de vida que teve de gastar para ter aquele dinheiro! E tudo se compra nesse mundo, gente, menos o sentido de uma existência ! É lamentável desperdiçar a vida para perder a liberdade!
Imagine a decepção ao chegar no crepúsculo da vida e olhar pelo retrovisor de sua memória para constatar que, no final das contas, você foi um objeto de consumo do próprio consumismo. Enfim, uma vida desperdiçada e inútil como uma latinha amassada e vazia de coca-cola.

Penso que foi bem o Zuckerberg nesta iniciativa! Perdeu alguns bilhões de dólares com isso, é verdade, mas decidiu reinvestir os dividendos em um bem que excede todo o dinheiro do mundo: a VIDA!

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