quarta-feira, 31 de janeiro de 2018

Mais um pouco sobre o porquê sou contra este modelo de reforma da previdência

Quando um projeto legislativo (PEC, PL, PLC, etc) é votado, você precisa saber que há os que ganham e os que perdem com ele.

Sempre assim!

Quando quem ganha são os que têm mais e quem perde são os que têm menos, o projeto tende a ser aprovado com mais facilidade e rapidez.

Explico: a maioria dos seres humanos é imediatista e, claro, a maioria dos que votam os projetos também é assim.

Na política, o que é ser imediatista quando se tem o poder? Simples: manter ou aumentar o poder. Em outras palavras, reeleição ou algo melhor.

Voltando aos projetos de lei, quando quem ganha com a aprovação do projeto são os que têm mais em detrimento dos que têm menos, a maioria imediatista vai apressar em aprová-los porque ao contentar os que têm mais, logicamente fica mais fácil manter ou aumentar o poder político através de campanhas mais estruturadas e outros benefícios que o colocam em vantagem em relação aos demais concorrentes. A resistência é mínima e a coisa flui.

E quando os projetos de lei beneficiam os que têm menos, mas não contentam os que têm mais, o que ocorre?

Aqui, ocorre o inverso, ou seja, a maioria imediatista dos que votam não vai querer contrariar os interesses de quem têm mais porque sabem que se o fizerem podem não manter ou mesmo restringir o seu poder político, vez que suas pretensões políticas terão que enfrentar grandes dificuldades estruturais, ficando em desvantagem em relação aos demais concorrentes. Por isso, dificilmente os projetos serão aprovados. A resistência é máxima.

No caso da Reforma da Previdência propagandeada pelo governo, os que têm mais querem suprimir direitos dos que têm menos.

Quem são os que têm mais neste caso ? O mercado, aí incluindo, banqueiros, grandes estruturas financeiras, previdência privada, especuladores, enfim, pessoas que vivem a lógica única que alimenta o sistema financeiro: lucro.

Quem são os que têm menos neste caso? São pessoas que trabalharam anos e anos, contribuindo com a previdência na esperança de uma aposentadoria digna. Não são ladrões, não são canalhas, não são corruptos; são professores, promotores de justiça, enfermeiros, policiais, médicos, auditores, fiscais de renda, etc.
  • Por que eles deveriam ser prejudicados ?
  • Por que deveriam ser assaltados em seus direitos ?
  • Por que deveriam ser mutilados em suas expectativas ?
Estas perguntas só podem ser respondidas voltando à ideia central deste artigo: estes médicos, promotores, professores, enfermeiros, auditores, fiscais e outros tantos são os que o governo chama de “privilegiados”. Vejam o paradoxo: neste caso da reforma, os “privilegiados” são os que têm menos; já o Mercado (banqueiros, previdência privada, especuladores, etc) são os “prejudicados” que têm mais. Suprema injustiça!

Por isso, atenção: nesta briga da previdência, os que têm mais querem muito mais às custas dos que nunca tiveram muito e podem ter menos ainda. E o pior é que se você nada fizer, a maioria imediatista vai entrar na onda e ajudar o Leão na briga contra o coelho.

Nenhum comentário: