segunda-feira, 24 de julho de 2017

A moda agora é ser “pós-verdadeiro”

Agora, a moda é a pós-verdade, nome esbelto da mentira.

Aos montes, pululam na rede com desenvoltura e arrojo. Ocupam espaços, formam opiniões, deflagram debates e sedimentam preconceitos.

Seu público é a massa de leitores que acredita na notícia pelo simples fato de ser uma notícia.

Engolem sem mastigar. São milhares. Replicam para outros que, por sua vez, quintuplicam para milhões de desavisados.

Espremidos no canto da sala, os profissionais do jornalismo escrupuloso tentam se defender mas desconfiam de que a luta é inglória.

É que a dita cuja – a tal da pós-verdade - não se resume à mentira involuntária, descuidada ou negligente, fruto da ligeireza na apuração do fato reportado. O buraco é mais embaixo: ela é mentira proposital, dolosa, preparada com objetivos definidos.

Portanto, a pós-verdade é a variante tecnológica da guerra discursiva. A mentira política sempre existiu, mas antes era patrocinada pelo Poder que se enfeixava no oficialismo burocrático como propaganda de estado. Hoje, atomizou-se e qualquer pessoa pode disparar seu torpedo na rede em forma de notícia veiculada em site ou mesmo em vídeos com versões fabricadas. Há quem profetize o fim do jornalismo como veículo ético da exação informativa.

Pessoas instruídas, detentoras de prestígio social, intelectual e profissional aderiram à moda e, despudoradamente, replicam notícias que sabem serem falsas. Falsas, mas agradáveis e convenientes aos seus gostos e sabores, por isso levadas adiante com infinitas replicações no mundo fluido da rede.

A última que me chegou ao celular foi um vídeo no qual um jovem entra em uma Ferrari dourada. O texto afirmava tratar-se do filho de um ex-presidente da república. O objetivo é claro: recrudescer o sentimento de ódio contra um político. O mais grave é que, muito provavelmente, a grande maioria que replicou o vídeo sabia que o homem não era quem se dizia.

Tempos estranhos!

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