terça-feira, 13 de junho de 2017

Um papo com Seu Antônio !

- Posso te chamar simplesmente Seu Antônio ?
- Claro, como quiser. Nome é o que menos importa.
- Sou de Campo Grande. Conhece?
- Acha que eu seria ingrato com a cidade que me evoca como padroeiro? Ainda mais com aquele poente alaranjado...
- Seu Antônio, do alto da sua morada, arrostando paredes infinitas de múltiplas dimensões do Universo, você ainda acredita na humanidade?
- Desde sempre, Fábio. A questão não é apenas acreditar nela, mas trabalhar por ela e com ela. Faço isso todos os dias sem me perguntar a razão e o destino. Simplesmente, faço.
- Mas somos tão pequenos diante de tudo! Diante do tempo, somos um cisco; diante do espaço, somos um traço... afinal, por que gasta seu tempo conosco?
- Eu não sei o que é tempo e o espaço é um jeito de ver as coisas. Daqui do alto, vocês todos são vizinhos, moradores da mesma semântica. Na proposta e no sentido, nada os difere.
- Por que ser santo é tão difícil?
- Ser santo não é um fim em si mesmo. Trabalhe a sua obra com atos de santidade. Em silêncio.
- Mas qual a sensação de evoluir?
- A mesma do artista quando termina a obra que considera a mais bela.
- E o que se ganha com isso?
- Sabedoria para ver que a existência não é uma conta corrente. Existem dívidas abençoadas e créditos traiçoeiros.
- Voltando à Campo Grande, o que acha do nosso povo?
- Tímido.
- Pode me explicar?
- O campo-grandense não se expõe porque ama a liberdade só até o ponto em que não se ameace a segurança. Não é um povo que gargalha a vida, talvez porque ainda não se libertou das amarras da imagem.
- Isso é bom ou ruim?
- É bom e ruim, por isso que edulcoro os ventos para bailar com as araras que voam sobre vocês. Acho que ajuda um pouco...
- E o Brasil, Seu Antônio?
- Estou preocupado.
- Por que ?
- A democracia não foi feita para dar tapa na cara por causa de uma ideia.
- E por que você não intervém para nos ajudar?
- Eu trabalho. O resto é com a História...

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