quinta-feira, 8 de junho de 2017

Pituka fugiu... Fugiu por quê?

Pituka, nossa nobre vira-lata, fugiu. Simplesmente, assim!

A todos deixou perplexo com o gesto aparente de ingratidão. Ou talvez rebeldia?

O fato é que Pituka aproveitou a nossa distração e desafiou a selvageria da liberdade plena. Enfrentou-a de peito aberto. Saiu por aí e não olhou para trás. Tomou água suja, lambeu ossos velhos, tropeçou no asfalto poroso da cidade e nada disso a intimidou.

Oh, Pituka, por que fugiu assim? Nenhum de nós, acredito, lhe causou qualquer desgosto, ao contrário, sempre a cobrimos de afeto e proteção: ração de primeira, cama acolchoada com kit cobertor para frias noites, água filtrada, coleira anti-mosquito e vacinação em dia. Até sua vaidade canina foi saciada com o "book" fotográfico com que a Nathacha lhe presenteou no dia do seu natalício. Aliás, neste dia, preparamos-lhe um bolo de carne para festejar sua vida. Lembra-se?

E mesmo assim, apesar de tudo e de todos, ignorando e desprezando todo o patrimônio afetivo que amealhou conosco em meses de convivência, partiu para o mundo e sequer dos seus se despediu.

Devemos lamentar que te encontraram, Pituka? Ainda tem vivo o plano de bater em retirada, desejando nunca mais retornar? Se este é o seu intento, cremos que é chegada a hora de nos separar. Respeitemo-la na sua fome de aventura infinita, afinal prefere liberdade à segurança.

De triunfal o seu retorno nada teve. Veio carregada por um dos nossos porque foi, casualmente, flagrada por olhos solidários de amigos comuns. Será por isso que está acabrunhada e sem coragem de nos olhar nos olhos como devem fazer os amigos de verdade na hora da cobrança?

Sim, Pituka, estamos profundamente magoados com o seu gesto. Magoados, mas, estranhamente, agradecidos.

Quer saber o motivo da nossa gratidão?

Aí vai: você nos fez ver o tamanho da nossa ignorância ao não entender que a sua natureza não pode se curvar ao nosso amor, porque o nosso amor é nosso, não seu, e, você, embora saiba que a amamos, não pode ser obrigada a negar sua essência em nome do amor que nos faz sentir.

Você, Pituka, não fugiu para se livrar de nós, mas para reencontrar-se consigo mesma. Perdoe-nos pelo egoísmo de te amar!

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