quinta-feira, 22 de junho de 2017

“Homo-zapzapiens”

Diversas espécimes de personalidades desfilam pelo meu zap-zap com desenvoltura ímpar. Por vezes, tenho a impressão de que a mesma pessoa são duas: uma, ao vivo; outra, no zap.

Cinco matrizes tipológicas de perfis ”zapeanos” me impressionam pela riqueza do conteúdo psicológico.

  1. Homo-zapzapiens diplomático: este só posta BOM DIA, BOA TARDE e BOA NOITE. Só, mais nada. Todos os dias. Todas as tardes. Todas as noites. Feriados, dias úteis, carnavais, finados, enfim. Pontual. Não falha. Incrivelmente disciplinado. Tem dia que não respondo; não importa. Ele não dá a mínima para o meu involuntário desprezo. E, quando retorno o BOM DIA, ele vai responder apenas horas depois com um solene BOA TARDE. E por aí segue...
  2. Homo-zapzapiens necrológico: este não é de conversa, fica longe de qualquer comentário ou opinião, porém quando alguém morre, eis que ele surge com vigor imperecível: “Morreu Dona Maria, filha do tio do compadre João que mora em Ourinhos”; “Acaba de falecer o Pastor Elias. Velório e sepultamento, já informo.” Quando Deus não chama para o seu convívio alguém remotissimamente conhecido, ele faz um silêncio sepulcral. Até o próximo chamado divino...
  3. Homo-zapzapiens eroticus: pessoalmente é respeitoso, focado em conversas sérias e civilizadas, provido de linguagem culta, enfim, um certeiro e normal tipo comum de pessoa. Só que no zap-zap se transforma em um plantonista do sexo pornô. Em média, ao longo de um dia normal (exceto feriados, porque na folga aumenta o ritmo das postagens) deve enviar, sem exagero algum, setenta e cinco vídeos de malabarismos tântricos e “sexopatas” olímpicos. Suponho que deva tomar diariamente uma jarra de testosterona em jejum. Só pode!
  4. Homo-zapzapiens assustado: este tipo peculiar parece que nasceu de improviso... Sempre tomado pelo susto, anuncia suas postagens com um retumbante: “Você viu isso?” ou “Meu Deus, leia isto urgente”... como se a notícia fosse um caso de vida ou morte para você ou alguém de sua família. Nada disso: “Cientistas descobrem a existência de mais 20 planetas a bilhões de anos-luz do sistema solar”... e por aí vai... de susto em susto até o próximo alarme!
  5. Homo-zapzapiens sanguinário: trata-se de um perfil obcecado por vídeos e mensagens de conteúdo violento. Brigas, assassinatos, execuções, tiroteios, acidentes de carro, atropelamentos, tragédias individuais e coletivas, enfim, quando ele aparece na tela, pode preparar o estômago, porque vem chumbo. Incrível a capacidade de diversificar a violência das postagens. Mais incrível ainda é vê-lo todas as quartas-feiras na novena, rezando como um manso e cordato cristão. Vai entender...

Quem são eles? Não importa. São meus amigos. Eu os recebo de braços, coração e zap abertos. E ponto final!

segunda-feira, 12 de junho de 2017

Por vezes a vida se torna pesada, dura e áspera

Mas por mais difícil que seja o tempo que você está vivendo, por terrível que seja o fardo, nunca esqueça que esses são também momentos de oportunidade, de mudança, de transformação e superação.

Aqui nos é dado provar a nossa força, a nossa tenacidade. E nunca desespere, pois dias melhores vão chegar.

Tenha uma ótima segunda-feira e uma excelente semana e que nenhum mal te alcance, que nenhum medo te aflija e que a sua luz ilumine teu caminho e o seu dia! Bom dia!

quinta-feira, 8 de junho de 2017

Pituka fugiu... Fugiu por quê?

Pituka, nossa nobre vira-lata, fugiu. Simplesmente, assim!

A todos deixou perplexo com o gesto aparente de ingratidão. Ou talvez rebeldia?

O fato é que Pituka aproveitou a nossa distração e desafiou a selvageria da liberdade plena. Enfrentou-a de peito aberto. Saiu por aí e não olhou para trás. Tomou água suja, lambeu ossos velhos, tropeçou no asfalto poroso da cidade e nada disso a intimidou.

Oh, Pituka, por que fugiu assim? Nenhum de nós, acredito, lhe causou qualquer desgosto, ao contrário, sempre a cobrimos de afeto e proteção: ração de primeira, cama acolchoada com kit cobertor para frias noites, água filtrada, coleira anti-mosquito e vacinação em dia. Até sua vaidade canina foi saciada com o "book" fotográfico com que a Nathacha lhe presenteou no dia do seu natalício. Aliás, neste dia, preparamos-lhe um bolo de carne para festejar sua vida. Lembra-se?

E mesmo assim, apesar de tudo e de todos, ignorando e desprezando todo o patrimônio afetivo que amealhou conosco em meses de convivência, partiu para o mundo e sequer dos seus se despediu.

Devemos lamentar que te encontraram, Pituka? Ainda tem vivo o plano de bater em retirada, desejando nunca mais retornar? Se este é o seu intento, cremos que é chegada a hora de nos separar. Respeitemo-la na sua fome de aventura infinita, afinal prefere liberdade à segurança.

De triunfal o seu retorno nada teve. Veio carregada por um dos nossos porque foi, casualmente, flagrada por olhos solidários de amigos comuns. Será por isso que está acabrunhada e sem coragem de nos olhar nos olhos como devem fazer os amigos de verdade na hora da cobrança?

Sim, Pituka, estamos profundamente magoados com o seu gesto. Magoados, mas, estranhamente, agradecidos.

Quer saber o motivo da nossa gratidão?

Aí vai: você nos fez ver o tamanho da nossa ignorância ao não entender que a sua natureza não pode se curvar ao nosso amor, porque o nosso amor é nosso, não seu, e, você, embora saiba que a amamos, não pode ser obrigada a negar sua essência em nome do amor que nos faz sentir.

Você, Pituka, não fugiu para se livrar de nós, mas para reencontrar-se consigo mesma. Perdoe-nos pelo egoísmo de te amar!