quinta-feira, 11 de maio de 2017

CASSANDRAS - Quero que o Lula pague pelos crimes de que é acusado. Antes, porém . . .

Quero que as convicções do juiz e de sua torcida na qual me incluo, deixem de ser meras convicções e configurem-se como provas irrebatíveis, conforme determinam os regramentos jurídicos, judiciais e institucionais.

Sou torcedor e expectante, não do douto juiz Sérgio Moro, mas da esperança verdadeira de gente que antes de ser contra pessoas ou partidos seja a favor da decência, do bem, do respeito e da verdade.

Mas não posso deixar de registrar o descabelamento apoplético da grande mídia e de seus maiores porta-vozes (de Merval a Constantino e Mainardi). Está nas manchetes dos jornalões, na editorialização dos telenoticiosos e nos comentários dos âncoras e repórteres que amanheceram eufóricos para a guilhotinagem da quarta-feira e acordaram pesadelosos e inconformados na quinta.

Lula não é inimputável. Tem contradições que precisam ser bem avaliadas e configuradas no processo. Não creio que desconhecesse o que acontecia em seu governo. Não creio que a busca da tal governabilidade tenha ocorrido de forma politicamente olímpica, só na boa-vontade ou na oferta de cargos a aliados, como sói em todos os governos da nossa Republica.

Mas daí a condenar Lula por achômetros pessoais, por motivações ideológicas, sociológicas ou corporativo-classistas, sumariamente, fora das barras judiciais, será apenas um exercício de vontade e interesses individuais. Assim como, no mesmo plano, não se estabelecem as tentativas de isentá-lo somente pelo protagonismo em políticas de governo ou por sua história de vida.

Lula não é inimputável. Sou filiado ao mesmo partido que ele e o tenho em minha estante de referências. Mas dela o derrubo, se necessário, sem problema algum. Só não concordarei jamais com a pré-concepção, sobretudo a que é direcionada por pessoas sem a autoridade que julgam ter para exigir ética ao redor se de seus núcleos vivenciais ela está ausente.

Volto ao início para justificar meu sorriso matinal de hoje ao encarar a decepção e a frustração da ancoragem televisiva, que não dissimula a contrariedade. Não com o "condenado" Lula, mas com o "justiceiro" Sérgio Moro.

Mas sigamos em frente. Que a Lava Jato prossiga, seja bem-sucedida e, sem seletividade, consiga responder às expectativas verdadeiras de quem verdadeiramente não carnavaliza no bloco da hipocrisia e quer de fato a limpeza, de A a Z e não somente do L.

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