quinta-feira, 6 de abril de 2017

Pílulas - Conjuntura

NACIONAL
  • - É nítida a impressão de que o Tribunal Superior Eleitoral levará em conta como critério de julgamento o provável aprofundamento da instabilidade política e econômica no país se Michel Temer for cassado. A decisão desta terça-feira só reforçou esta suspeita.
  • - A questão, porém, não é tão simples quanto parece: o colegiado votará um caso que, ao que parece, é pródigo em provas incriminadoras, de forma que uma complexa engenharia argumentativa haverá de ser engendrada para se resguardar o mandato de Temer. A conferir.
  • - A ascensão meteórica de Jair Bolsonaro, principalmente entre os jovens, é a expressão da impaciência do eleitorado com os políticos em geral. O estilo autoritário, raivoso e direto do Capitão da reserva seduz os que estão de “saco cheio” da “conversa mole” da grande maioria dos políticos que falam uma coisa, mas praticam outra. O fato de seu nome não constar em nenhuma lista de delação premiada encoraja mais ainda os seus seguidores.
  • - Neste quadro, o único nome com chances de empolgar e anestesiar o efeito Bolsonaro é João Dória. Entretanto, sua performance na Prefeitura de São Paulo será decisiva para chegar fortalecido como alternativa para o Planalto. Se isto se confirmar, a disputa ideológica em 2018 estará polarizada entre direita e centro-direita. E a esquerda? Por enquanto, não vejo nomes com potencial para emocionar o eleitorado. Por enquanto...

ESTADUAL
  • - Além do Monstro do Lago Ness e o buraco negro do Triângulo das Bermudas, um dos mistérios que mais intriga a inteligência humana é saber o que os deputados estaduais de MS bebem ou comem que os deixam assim lânguidos e astênicos na tarefa de fiscalizar o governo estadual. A malemolência dos discursos dirigidos ao governo Azambuja recorda as mais doces e românticas serenatas de outrora. Dizem que o último discurso de oposição ao governo foi tão chato de se ouvir que até o orador dormiu...
  • - O governo de Reinaldo deverá nos próximos meses fazer um pouco mais do que o nada que até agora está fazendo. O discurso de 2018 para a reeleição já está pronto: “arrumamos a casa nesta crise; agora, é hora de fazer acontecer”. Ou este: “se você acha que MS está ruim, veja como estão os outros estados”... Se os eleitores vão acreditar ou não, só o futuro dirá!
  • - Se André não for candidato ao governo, aliando-se à Reinaldo na sua chapa para o Senado, MS corre o risco de ter uma candidatura única em um pleito anêmico e sem graça com candidaturas faz-de-conta. Mas se André for candidato, o pleito continuará cinza: passado recente contra passado remoto. Claro, pode surgir um nome novo e empolgante como fator surpresa no quadro. Mas quem? Calma, Suel...
  • - O conflito entre o deputado federal Eliseu Dionísio e manifestantes no aeroporto de Campo Grande poderia ter sido evitado se o parlamentar tivesse escolhido com mais escrúpulo as palavras proferidas em um discurso na Câmara dos Deputados quando se referiu a um líder sindical de maneira hostil. Palavras voam, é verdade, mas também é verdade que aquele que bate, esquece; o que apanha, não.

MUNICIPAL
  • - Marquinhos precisa encontrar uma solução efetiva para restaurar a malha asfáltica da cidade. Campo Grande não pode ficar refém das chuvas que ampliam e provocam buracos nas ruas. É um desafio e tanto, mas se ele conseguir equacionar este problema, será lembrado como o prefeito que devolveu as ruas para os campo-grandenses.
  • - A aliança no segundo turno entre Bernal e Marquinhos foi feita sobre pontos programáticos que abrangeram a continuidade do convênio com o Exército, a não nomeação de implicados em ações penais relacionadas à crise política da gestão anterior, bem como a continuidade de ações e programas sociais implementados. Não se viu na lista nenhum acordo quanto à nomeação de pessoas ligadas ao ex-prefeito.
  • - Aos que me perguntam a razão de Marquinhos manter na sua gestão vários quadros políticos e técnicos ligados ao ex-alcaide, respondo como mantra: a melhor pessoa para responder sobre esta questão é o próprio prefeito. Basta perguntar.
  • - E quando me pedem uma opinião a este respeito, digo o seguinte: a afinidade de métodos, práticas, comportamentos e concepções em uma equipe é fundamental para o seu sucesso. Qualquer nota dissonante que desafine o conjunto da obra deve ser imediatamente suprimida para que a harmonia prevaleça. Caso contrário, o Maestro perde o controle sobre a orquestra.
  • - Corre um vídeo de um cidadão ameaçando de morte o prefeito por causa dos buracos nas ruas. Uns dizem que o vídeo foi gravado em novembro do ano passado; outros afirmam que o vídeo é atual. Isso não importa. O caso não é de polícia, nem de política. Isso é coisa de educação ou falta dela. Explico: o filho de cinco anos do ameaçador estava presente e viu o pai praticando o crime. Não me parece ser este um bom exemplo para um ser em formação. Se copiar o exemplo do pai, pode vir a ser um homem raivoso que, diante dos problemas, vai criar outros em vez de buscar uma solução como Homem de verdade.

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