quarta-feira, 26 de abril de 2017

A ideologia do "zap-zap"

Pois é, dia sim, dia também, sou “arbitrariamente” incluído nos mais diversos e estranhos grupos de WhatsApp (prefiro falar zap-zap pela sonoridade que denota rapidez).

Tem dia que me sinto uma bola de fliperama, sendo lançado em zigue-zague por administradores que devem gostar de mim tanto quanto gato de banho.

Ontem mesmo, fui catapultado para seis grupos de zap. Assim que acordei, já estava no grupo “Amigos do Kim” (o ditador da Coreia do Norte). Pensei: mas o que eu escrevi ou falei na minha vida para suporem que sou favorável ao regime norte-coreano?

O problema é que após vinte segundos de reflexão, antes mesmo do primeiro gole de café, já tinha sido levado para outra dimensão zapeana: “Veganos amados”. Claro, agradeci aos membros pelo amor devotado a este modesto, porém feliz apreciador de bistecas e maminha, excluindo-me respeitosamente.

Suspeito que haja alguma linha de coerência na busca de nomes para inclusão nos grupos de zap-zap, porque não posso conceber que, assim na loteria do acaso, as pessoas sejam arrastadas para o grupo como se fossem abatidas por uma bala perdida. Ou não... só sei que ao ser inserido no grupo dos “Amantes dos Lírios”, confesso que pode haver algum outro Fábio Trad que não seja eu mesmo por esse mundo de meu Deus. Só isso para explicar o meu exílio forçado no grupo “Palmeiras tem Mundial”, logo eu, um botafoguense há mais de 40 anos.

Ao fim do dia, fiz um esforço de memória para tentar decifrar as minhas inclinações sob a ótica dos gentis administradores de grupos. Lá vai:
  1.   Força, Chimbinha;
  2.   Brócolis: saúde é vida;
  3.   Politeístas Unidos;
  4.   Militarismo já;
  5.   Pau na esquerda;
  6.   Trotski não morreu;
  7.   Moro é o Cristo Vivo;
  8.   Antártida chora;
  9.   Avante Trump;
  10.   Trump besta;
  11.   Somos todos ETs;
Não me aborrece o tresloucado mundo do zap-zap, antes procuro ver o lado cômico deste jogo frenético de conversas confusas, fofocas sobrepostas e infinitos multicoloridos bons dias, boas tardes, boas noites. Todo mundo escrevendo, falando, elogiando, xingando ao mesmo tempo nesta Babel de palavras.

“Faz parte, faz parte”, diria o filósofo zapeano Kleber Bam-Bam.

Nenhum comentário: