quarta-feira, 26 de abril de 2017

A ideologia do "zap-zap"

Pois é, dia sim, dia também, sou “arbitrariamente” incluído nos mais diversos e estranhos grupos de WhatsApp (prefiro falar zap-zap pela sonoridade que denota rapidez).

Tem dia que me sinto uma bola de fliperama, sendo lançado em zigue-zague por administradores que devem gostar de mim tanto quanto gato de banho.

Ontem mesmo, fui catapultado para seis grupos de zap. Assim que acordei, já estava no grupo “Amigos do Kim” (o ditador da Coreia do Norte). Pensei: mas o que eu escrevi ou falei na minha vida para suporem que sou favorável ao regime norte-coreano?

O problema é que após vinte segundos de reflexão, antes mesmo do primeiro gole de café, já tinha sido levado para outra dimensão zapeana: “Veganos amados”. Claro, agradeci aos membros pelo amor devotado a este modesto, porém feliz apreciador de bistecas e maminha, excluindo-me respeitosamente.

Suspeito que haja alguma linha de coerência na busca de nomes para inclusão nos grupos de zap-zap, porque não posso conceber que, assim na loteria do acaso, as pessoas sejam arrastadas para o grupo como se fossem abatidas por uma bala perdida. Ou não... só sei que ao ser inserido no grupo dos “Amantes dos Lírios”, confesso que pode haver algum outro Fábio Trad que não seja eu mesmo por esse mundo de meu Deus. Só isso para explicar o meu exílio forçado no grupo “Palmeiras tem Mundial”, logo eu, um botafoguense há mais de 40 anos.

Ao fim do dia, fiz um esforço de memória para tentar decifrar as minhas inclinações sob a ótica dos gentis administradores de grupos. Lá vai:
  1.   Força, Chimbinha;
  2.   Brócolis: saúde é vida;
  3.   Politeístas Unidos;
  4.   Militarismo já;
  5.   Pau na esquerda;
  6.   Trotski não morreu;
  7.   Moro é o Cristo Vivo;
  8.   Antártida chora;
  9.   Avante Trump;
  10.   Trump besta;
  11.   Somos todos ETs;
Não me aborrece o tresloucado mundo do zap-zap, antes procuro ver o lado cômico deste jogo frenético de conversas confusas, fofocas sobrepostas e infinitos multicoloridos bons dias, boas tardes, boas noites. Todo mundo escrevendo, falando, elogiando, xingando ao mesmo tempo nesta Babel de palavras.

“Faz parte, faz parte”, diria o filósofo zapeano Kleber Bam-Bam.

Que nunca nos falte fé em DEUS

Durante a vida, muitos serão os momentos difíceis e de provação. E é justamente nesses momentos que muitas pessoas duvidam de Deus e perdem a fé. Deus é o nosso Senhor, a nossa luz na escuridão.

A vida sempre vai nos trazer momentos de dor e sofrimento, e sem Deus, superar esses momentos se torna quase impossível. Quando temos fé, quando abrimos o nosso coração para o Senhor, tudo fica mais fácil.

Que tenhamos uma ótima Quarta-feira e que nunca nós falte fé, ânimo e força pra viver um dia abençoado hoje. Bom dia!

segunda-feira, 24 de abril de 2017

Por que a maioria das pessoas não têm simpatia pela defesa?

Sempre me intrigou o fato de a grande maioria das pessoas não fazer sequer questão de esconder a sua profunda antipatia com a defesa.

Refiro-me à defesa como valor jurídico e exercício dialético de contraposição à acusação. Já desconfiei que talvez a imprensa pudesse ter contribuído para arraigar este sentimento de hostilidade à defesa, mas hoje estou convencido de que a mídia apenas expõe o que me parece natural no ser humano.

Há uma tendência em associar à defesa um quê de dissimulação e astúcia, sobretudo quando contrastada com a acusação, esta sempre ornada de credibilidade.

Afinal, por que a defesa é vista com antipatia?
A acusação sempre vem antes da defesa. Será que a famosa “primeira impressão é que fica” condiciona psicologicamente as pessoas a se sensibilizar mais com o fato, dificultando posteriormente a revisão da crença consolidada?

Uma tese que me impressiona vem de uma frase de Schopenhauer: “A alegria do rebanho é quando o lobo come a ovelha do lado”. Sim, quando se acusa uma pessoa de ter feito um mal, um estranho sentimento de alívio recompensador toma posse de quem não foi acusado.

Coerente com este pensamento, a antipatia pela defesa pode ser explicada porque toda a energia de quem defende mexe justamente nesta “alegria que se sente quando a ovelha ao lado é comida pelo lobo”. Sim, pois a defesa é a tentativa de dissipação deste alívio egoístico que refresca a alma dos que não foram acusados, irritando o rebanho por privá-lo do sentimento de superioridade em relação à “ovelha acusada”.

Historicamente, Jesus de Nazaré, o Advogado do Amor, nos evoca esta mesma impressão racionalizada pela filosofia quando se levanta em defesa da prostituta.

Observe, caro leitor, inicialmente, a pulsão de energia vital dos homens que cercavam a prostituta com pedras nas mãos. Eles estavam em êxtase, sentindo-se superiores à pecadora, e, de certa forma, aliviados porque unidos na sensação de pertencimento a um grupo determinado. Eis que, quando o Nazareno começou a sustentar oralmente a tragédia da hipocrisia, lançando-lhes o desafio de jogar a primeira pedra, o impulso vital se encolheu, envergonhado, dando lugar a um depressivo estado de letargia e desânimo.

Acusar é sempre mais fácil, porque se alimenta da potencialidade dos nossos instintos egoísticos ligados à autoconservação. Defender é sempre mais complicado, porque é típico exercício de aprimoramento da racionalidade. Ter paciência para ouvir o outro lado com senso de equilíbrio não é tarefa para qualquer um, apenas para os mais evoluídos moral, intelectual, psicológica e espiritualmente. Estes são minoria.

Não desanime, não desista!

O desânimo, a desistência são inimigos mortais do triunfo, do sucesso.

No trabalho, assim como na vida, os desafios, as dificuldades, não devem, não podem, ser encarados como obstáculos intransponíveis, mas sim como oportunidades de superação.

A persistência e a luta diária no trabalho são o caminho certo para a vitória, para o sucesso individual e coletivo. Na capacidade de superação de cada indivíduo se encontra o segredo para o triunfo.

Quando aprendemos a selecionar o que importa em nossas vidas, estrela vira constelação, luz se torna clarão, felicidade vem se avisar.

O segredo da paz se encontra nas coisas mais simples. Bom dia e uma ótima semana!

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Depois da tempestade o Sol sempre vai brilhar

Por vezes a vida se torna pesada, dura, áspera. Mas por mais difícil que seja o tempo que você está vivendo, por terrível que seja o fardo, nunca esqueça que esses são também momentos de oportunidade, de mudança, de transformação e superação.

Aqui nos é dado provar a nossa força, a nossa tenacidade. E nunca se desespere, pois dias melhores vão chegar. Tenha uma ótima sexta-feira e um bom final de semana! Que no amor de Deus encontre a paz e o descanso que seu coração precisa. Bom dia!

quinta-feira, 20 de abril de 2017

É no silêncio que DEUS trabalha

Muitas vezes Deus se cala... Mas o silêncio de Deus não significa que Ele desistiu de você...

Sua Palavra diz que quando Ele fica em silêncio é porque está trabalhando... e é lógico... trabalhando em favor daqueles a quem Ele ama...

E ELE TE AMA!!! Portanto se você está passando pelo silêncio de Deus... Ele te diz: Não temas! Eu sou contigo, Eu te Amo. Paz sempre!

Tenha um dia super abençoado! Bom dia!

quarta-feira, 19 de abril de 2017

Já que ninguém falou, escrevo !

Diante do silêncio sepulcral sobre o artigo da jornalista Vera Magalhães publicado no Estadão, intitulado “O Poder Inviolável”, sinto-me no dever de intervir.

Em determinada passagem do texto, Vera afirma:
“A completa ausência de juízes e ministros de tribunais superiores nos relatos dos sócios e executivos da empreiteira não reflete a falta do que contar, mas um entendimento tácito entre colaboradores e a força-tarefa para manter mais ou menos preservado um dos Poderes, para que possa enfrentar sem ter a legitimidade questionada pela sociedade a tarefa de julgar os descalabros revelados.”

É isso mesmo, caro leitor!

A jornalista de um conceituado e tradicional veículo de comunicação do país está afirmando que as colaborações premiadas são seletivas. E mais, são seletivas não só em relação às pessoas escolhidas para serem atingidas, mas (o que é gravíssimo) em relação a um poder constituído inteiro.

Sendo verdadeira a informação da jornalista, a credibilidade de todo o trabalho investigatório da força-tarefa da Lava-Jato está em xeque. Ora, como é possível admitir que apenas parte da corrupção institucionalizada e sistêmica possa ser alvo de investigação, varrendo-se para debaixo do tapete todo um suposto esquema corrupto que atinge um Poder?

A afirmação da jornalista é aterrorizadora para o Estado democrático de Direito. Seu artigo revela que a Força-Tarefa da Lava-Jato combina (entendimento tácito) previamente com os colaboradores qual a corrupção que interessa e quais os corruptos que devem ou não ser delatados.

Desta confessa prova de prevaricação dos investigadores, pode-se extrair o seguinte panorama desenhado pelo artigo da jornalista do Estadão:
  • a) As colaborações premiadas são orientadas por juízos de conveniência política nada republicanos;
  • b) As colaborações premiadas não têm compromisso com a investigação impessoal, imparcial e verdadeira, porque são direcionadas para atingir uns e livrar outros na mais abjeta forma de manipulação do exercício arbitrário do poder;
  • c) As colaborações premiadas estão contaminadas em sua gênese por uma espécie de atuação política movida e inspirada por interesses pessoais ou de grupos e corporações;
  • d) As colaborações premiadas são passíveis de acordo tácito entre colaboradores e investigadores cujo objeto é a própria versão da delação em forma editada.
Confesso que jamais poderia imaginar que vazasse assim de forma tão cristalina e despudorada (ou terá sido a jornalista ingênua em não supor a gravidade da informação?), o “calcanhar de aquiles” de todo o aparato sistêmico que produz as delações premiadas no âmbito da Lava-Jato.

Se apenas a corrupção que interessa aos investigadores é selecionada para cair na malha fina de sua atuação, então pode-se concluir que não é o crime que perseguem e combatem, mas apenas algumas pessoas...

Isto é grave, muito grave, gravíssimo!

O melhor remédio é viver !

Não adianta remoer a tristeza e os problemas. O que não tem remédio, remediado está, não se pode mudar o passado, mas podemos usar das nossas experiências passadas para fazer um presente e um futuro diferentes. Acredite em você, acredite no seu potencial, acredite na vida.

Que a cada manhã você descubra que a felicidade não esta nos prédios vizinhos, nos corações de outras pessoas, mas sim nas tuas mãos capazes de fazer do mundo um lugar mais belo!

Tenha uma ótima Quarta-feira e que Deus continue sempre te abençoando e iluminando suas caminhadas. Bom dia!

terça-feira, 18 de abril de 2017

Não deixe nada impedir seus sonhos . . .

Às vezes nossos problemas nos deixam perdidos, sem saber para onde ir. Mas você não pode ficar paralisado perante seus receios. O futuro estará sempre em suas mãos. Não deixe que nada o impeça de concretizar seus sonhos.

Ame sua vida pois é o bem mais valioso que você pode ter. E acima de tudo, faça da alegria uma constante dos momentos que vai usufruir.

Regra do dia: Esquecer o que não deu certo ontem. Hoje é um novo dia! Tenha uma excelente Terça-feira e que Deus abençoe esse teu novo dia e que seja de vitórias e conquistas. Bom dia!

segunda-feira, 17 de abril de 2017

Senhor, clareia-nos o entendimento . . .

Senhor, clareia-nos o entendimento, a fim de que conheçamos em suas consequências os caminhos já trilhados por nós; entretanto, faze-nos essa concessão mais particularmente para descobrirmos, sem enganos, as estradas mais retas que nos conduzem à integração com os teus propósitos.

Alteia-nos o pensamento, não somente para identificarmos a essência de nossos próprios desejos, mas sobretudo para que aprendamos a saber quais os planos que traçaste a nosso respeito.

Não pense que alguém dá o primeiro passo sem pensar no segundo. É sempre adiante que se pensa!

Desejo que a tua segunda-feira e a tua semana seja abençoada, leve e serena, cheia de bons sentimentos, pensamentos, fé e muito amor. Bom dia!

sábado, 15 de abril de 2017

Projeto Social ABSSMS: Dia de Lazer aos estudantes de escolas públicas da capital

Cumprindo seu papel social, a diretoria da ABSSMS tem desenvolvido um Projeto, junto aos estudantes das escolas públicas de Campo Grande, com o objetivo de propiciar lazer a crianças e adolescentes da nossa capital.

Dentro de um calendário mensal é estabelecido pela diretoria da entidade, um dia da semana, onde o projeto visa oferecer lazer a juventude campo-grandense, o espaço do complexo de multi atividades da ABSSMS, que conta atualmente com três piscinas e um tobo-água.

“Nós que representamos os Policiais e Bombeiros Militares, entendemos que nosso dever vai muito além de cumprir o nosso papel estatutário, por isso, temos nos empenhado em realizar também a parte social e com isso proporcionar lazer aos estudantes da capital”. Declarou o Tenente PM Thiago Monaco Marques Presidente da ABSSMS.

Esta iniciativa já atendeu centenas de crianças das Escolas Municipais e Estaduais de Campo Grande. Maiores informações podem ser feitas com o Tenente BM Fernando Jorge Brandão Ferreira, Gestor do Clube e Diretor de Patrimônio e Obras da ABSSMS, pelo telefone 3027-1434.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

SORRIA, VOCÊ ESTÁ SENDO VIGIADO!

Se você passa a maior parte do dia navegando com desenvoltura sobre as água caudalosas da internet, saiba que tudo está registrado.

Todos os seus passos, escolhas, acessos, conteúdos e histórico de compras, vendas, trocas, posts enfim, tudo, absolutamente tudo está devidamente gravado na memória tecnológica.

Você é, sem querer, o protagonista das infinitas versões da onipresença do universo cibernético: basta escrever o seu nome e apertar a tecla enter.

Mas se você é exceção e não tem por hábito trafegar pelo mundo virtual, saiba que também está sendo vigiado. Suas compras no débito, no crédito, parceladas ou não, estão devida e detalhadamente contabilizadas, registradas, arroladas e cronologicamente organizadas.

Se, mesmo assim, exceção das exceções, você não acessa a internet e só usa dinheiro em espécie no dia-a-dia, não pense que está fora da estufa digital.

Câmeras nas ruas, nas avenidas, nas esquinas, nos prédios, nas lojas, nas casas, nos escritórios, nos hotéis, nos motéis, nas fábricas, nas Igrejas, nas escolas, nas praças e nos parques também acompanham seus passos nos mínimos detalhes.

Drones em cima, câmeras embaixo e você no meio!

Visibilidade máxima, vigilância extrema, exposição permanente e detecção pormenorizada de seus atos, gestos, falas, textos, fotos, imagens, sons, tudo o que diz respeito a você foi, está e será captado na rede. Não tem escolha. Você não pode se tornar invisível ao poder ocular da tecnologia.

A rede vigia o seu presente, possui o seu passado e condiciona o seu futuro. A cobertura diária em tempo real dos seus movimentos, ainda quando dorme o sono dos justos, maximiza a segurança a ponto de sufocar a liberdade.

Você não pratica crimes, mas está sendo vigiado.

Você respeita as leis, mas está sendo vigiado.

Não existe liberdade sem segurança, mas que nome se dá à segurança que não lhe dá liberdade?

quinta-feira, 13 de abril de 2017

Motivos...

Há muitas pessoas que necessitam de vários motivos para permanecerem vivas. Para essas não há o instinto, somente o motivo. São aqueles que acordam já com diversas atividades programadas em mente, e se por um acaso algo não sair como o planejado, pode deixá-la totalmente perdida.

Um café da manhã balanceado para continuar com o peso adequado, ter determinada profissão para manter certa posição social, ou ainda continuar casado pelos simples fato de ser mais fácil. O que pode ter sido referido como motivação, neste caso não passa de estagnação.

Quando fazer algo de uma forma diferente passa a ser tão distante que nem é mais lembrado, talvez toda essa falta de vontade deve ser repensada. Todos os motivos que movimentam nossa vida devem ser sempre alterados à medida que são alcançados, mas se no meio do caminho percebeu que algum já não é mais válido, tenha a certeza que mais vale dispensá-lo.

Tenha uma excelente Quinta-feira e neste momento desejo a ti que os anjos de Deus faça desse dia que nasce toda a paz, sabedoria e felicidade necessária para administrar suas grandes conquistas. Bom Dia!

quarta-feira, 12 de abril de 2017

Fuja da zona de conforto

Fugir da zona de conforto, sair da rotina, renovar as expectivas. Tudo isso pode nos fazer ganhar um novo estímulo para trabalhar e viver.

É muito importante fazermos alguma coisa que realmente gostamos, e também fazermos do jeito que gostamos.

O problema da falta de motivação pode não estar propriamente no seu trabalho, mas na maneira como você trabalha. Mude aquilo que precisa e pode ser mudado!

Coragem, força, ânimo e determinação. E nunca deixe de sonhar, são os sonhos que nos movem.

Tenha uma ótima Quarta-feira e que coisas boas lhe aconteçam e que a chama do amor de Deus aqueça sempre o teu coração!

Bom dia!

terça-feira, 11 de abril de 2017

"13 reasons why" vira alvo de polêmica e levanta a questão: como a ficção deve abordar o suicídio?

Elogiada, série da Netflix é acusada de causar "gatilho suicida" entre jovens
Hannah Baker: protagonista vivida por Katherine Langford na série da Netflix
comete suicídio e responsabiliza colegas de escola
- Beth Dubber/Netflix/Divulgação
No ar desde 31 de março, “13 reasons why” tornou-se uma das séries mais comentadas da temporada. Baseada no best-seller “Os 13 porquês” (Ática), de Jay Asher, a atração da Netflix estreou cercada de elogios pela abordagem madura de temas do universo adolescente, como bullying e suicídio. Entre a crítica especializada, a produção do showrunner Brian Yorkey tem 93% de aprovação, segundo o site Rotten Tomatoes.

*** ATENÇÃO SPOILERS ***

Quase duas semanas depois da estreia, porém, uma reviravolta ameaça a recepção positiva da série. Nas redes sociais, espectadores, críticos e psiquiatras questionam: “13 reasons why” pode servir de gatilho para quem sofre de depressão ou tem tendências suicidas? Por tratar o suicídio de forma tão metódica e explícita (sim, a cena em que Hannah, a protagonista, comete o ato é mostrada em todos os detalhes), a série pode levar outros jovens a fazer uma escolha tão trágica? Afinal, como a ficção deve abordar o assunto?

Na trama, a personagem de Katherine Langford comete suicídio após sofrer uma série de agressões físicas e psicológicas por colegas de escola. Antes de tirar a própria vida, ela grava fitas cassete em que identifica as pessoas que considera responsáveis por tê-la feito se sentir sem saída. Entre os “porquês”, estão assédio sexual, estupro, bullying e violação de privacidade.


‘Não é uma opinião pessoal, e sim um fato: a veiculação ou divulgação de um suicídio pode inspirar pessoas que pensam no assunto’
- Carmita AbdoPresidente da Associação Brasileira de Psiquiatria

Se, por um lado, estamos nos solidarizando pela Hannah e mostrando os riscos que ela pode sofrer dentro de situações cotidianas, por outro estamos, talvez sem saber, dando munição para muitos indivíduos que sofrem de desequilíbrio mental. Uma saída para a ficção é falar sobre o suicídio como algo que se pode combater, em vez de se afirmar somente que é um evento horrível.

No fim do 13º e último episódio, a Netflix exibe um documentário de 30 minutos com atores, produtores e psiquiatras alertando sobre os perigos e impactos psicológicos dos temas retratados na série. Também traz um link 13reasonswhy.info no qual jovens que enfrentam problemas semelhantes podem buscar ajuda  no Brasil, os contatos do Centro de Valorização da Vida, o CVV, estão disponíveis. Além disso, no começo dos episódios com conteúdo de violência ou abuso sexual, uma mensagem é exibida recomendando a discrição do espectador.


‘Trata-se de uma ficção, um produto de entretenimento, mas que aborda temas sensíveis e que necessitam de um certo cuidado. Esse cuidado existiu, a produção contou com a consultoria de profissionais de saúde durante todo o processo’
- Amanda Vidigal Gerente de comunicação da Netflix no Brasil

Mas vale lembrar que “13 reasons why” é uma adaptação do best-seller em que a cena do suicídio já era descrita de forma detalhada. O próprio autor disse que sua intenção era criar uma passagem desconfortável.

De acordo com Carlos Correia, voluntário do CVV, desde a estreia da série o número de atendimento diários aumentou de 50 para cerca de 300 e, muitas vezes, “13 reasons why” é mencionada.

Essa é uma situação comum na ficção, já aconteceu com outras séries, filmes, livros. Vimos como positiva a oportunidade de ajudar os espectadores da série, que podem nunca ter ouvido falar no CVV explica Correia. Entre meus colegas voluntários, cada um tem uma opinião diferente: uns acham válido abordar o assunto dessa forma tão explícita, outros acham que a série pode, sim, induzir ao suicídio. É uma questão bastante subjetiva, e não é do escopo do trabalho do CVV avaliar se isso é bom ou ruim.

ROTEIRISTAS DEFENDEM SÉRIE

A Organização Mundial da Saúde (OMS), embora concentre-se na maneira como a imprensa deve relatar casos de suicídio, recomenda não mostrar fotos e vídeos do local ou mesmo revelar a forma da morte. No documentário exibido ao final da série, produtores e roteiristas se defendem:

“Muitas pessoas nos perguntaram por que nós mostramos Hannah se matando da forma como fizemos. Trabalhamos duro para que (a cena) não fosse gratuita. Queríamos que fosse difícil de ver, para ficar claro que não há nada que valha a pena (no suicídio)”, diz o showrunner Brian Yorkey.


‘A série é um recado para as pessoas vivas e o que elas podem fazer quando alguém sofre. Qualquer assunto tabu deve ser trazido para a luz. O silêncio e o mistério podem ser muito mais nocivos’
- Renata CorrêaRoteirista

Uma outra crítica recorrente a “13 reasons why” questiona o estado racional em que Hannah se encontra prestes a se suicidar. Apesar de mergulhada em depressão e apatia, ela planeja minuciosamente o ato e as suas consequências para as 13 pessoas que julga responsáveis pela sua morte.

Pessoas se matam por razões variadas. Não é apenas um ato de loucura. Historicamente, parte dos suicídios é cometida por pessoas que pensaram minuciosamente e não viram outra solução.

Não vejo incompatibilidade no ato da Hannah argumenta o jornalista Arthur Dapieve, colunista do GLOBO e autor de “Morreu na contramão” (editora Zahar), que discute o “efeito Werther” (tese de que o suicídio, quando amplamente noticiado, torna-se “contagioso”) e identifica o suicídio como fenômeno racional.

Um exemplo é a carta de Getúlio Vargas, uma “obra-prima” da nossa literatura e ainda um gesto político. Estabelecer uma regra sobre como alguém se comporta não é coerente com a literatura sobre o assunto. A OMS aconselha abordar o tema, mas sem demonizar ou santificar o suicida. É aí que pode estar a falha da série.

Para a roteirista Renata Corrêa, tabus são o motor da ficção:

É comum citar o efeito Werther como exemplo de como a ficção pode se tornar um gatilho para uma epidemia de suicídios, mas isso aconteceu poucas vezes na História. Ultimamente, termos como trigger warning ("alerta de gatilho") estão se popularizando para avisar sobre conteúdos violentos e sensíveis. A série é um recado para as pessoas vivas e o que elas podem fazer quando alguém sofre. Qualquer assunto tabu deve ser trazido para a luz. O silêncio e o mistério podem ser muito mais nocivos.

quinta-feira, 6 de abril de 2017

Pílulas - Conjuntura

NACIONAL
  • - É nítida a impressão de que o Tribunal Superior Eleitoral levará em conta como critério de julgamento o provável aprofundamento da instabilidade política e econômica no país se Michel Temer for cassado. A decisão desta terça-feira só reforçou esta suspeita.
  • - A questão, porém, não é tão simples quanto parece: o colegiado votará um caso que, ao que parece, é pródigo em provas incriminadoras, de forma que uma complexa engenharia argumentativa haverá de ser engendrada para se resguardar o mandato de Temer. A conferir.
  • - A ascensão meteórica de Jair Bolsonaro, principalmente entre os jovens, é a expressão da impaciência do eleitorado com os políticos em geral. O estilo autoritário, raivoso e direto do Capitão da reserva seduz os que estão de “saco cheio” da “conversa mole” da grande maioria dos políticos que falam uma coisa, mas praticam outra. O fato de seu nome não constar em nenhuma lista de delação premiada encoraja mais ainda os seus seguidores.
  • - Neste quadro, o único nome com chances de empolgar e anestesiar o efeito Bolsonaro é João Dória. Entretanto, sua performance na Prefeitura de São Paulo será decisiva para chegar fortalecido como alternativa para o Planalto. Se isto se confirmar, a disputa ideológica em 2018 estará polarizada entre direita e centro-direita. E a esquerda? Por enquanto, não vejo nomes com potencial para emocionar o eleitorado. Por enquanto...

ESTADUAL
  • - Além do Monstro do Lago Ness e o buraco negro do Triângulo das Bermudas, um dos mistérios que mais intriga a inteligência humana é saber o que os deputados estaduais de MS bebem ou comem que os deixam assim lânguidos e astênicos na tarefa de fiscalizar o governo estadual. A malemolência dos discursos dirigidos ao governo Azambuja recorda as mais doces e românticas serenatas de outrora. Dizem que o último discurso de oposição ao governo foi tão chato de se ouvir que até o orador dormiu...
  • - O governo de Reinaldo deverá nos próximos meses fazer um pouco mais do que o nada que até agora está fazendo. O discurso de 2018 para a reeleição já está pronto: “arrumamos a casa nesta crise; agora, é hora de fazer acontecer”. Ou este: “se você acha que MS está ruim, veja como estão os outros estados”... Se os eleitores vão acreditar ou não, só o futuro dirá!
  • - Se André não for candidato ao governo, aliando-se à Reinaldo na sua chapa para o Senado, MS corre o risco de ter uma candidatura única em um pleito anêmico e sem graça com candidaturas faz-de-conta. Mas se André for candidato, o pleito continuará cinza: passado recente contra passado remoto. Claro, pode surgir um nome novo e empolgante como fator surpresa no quadro. Mas quem? Calma, Suel...
  • - O conflito entre o deputado federal Eliseu Dionísio e manifestantes no aeroporto de Campo Grande poderia ter sido evitado se o parlamentar tivesse escolhido com mais escrúpulo as palavras proferidas em um discurso na Câmara dos Deputados quando se referiu a um líder sindical de maneira hostil. Palavras voam, é verdade, mas também é verdade que aquele que bate, esquece; o que apanha, não.

MUNICIPAL
  • - Marquinhos precisa encontrar uma solução efetiva para restaurar a malha asfáltica da cidade. Campo Grande não pode ficar refém das chuvas que ampliam e provocam buracos nas ruas. É um desafio e tanto, mas se ele conseguir equacionar este problema, será lembrado como o prefeito que devolveu as ruas para os campo-grandenses.
  • - A aliança no segundo turno entre Bernal e Marquinhos foi feita sobre pontos programáticos que abrangeram a continuidade do convênio com o Exército, a não nomeação de implicados em ações penais relacionadas à crise política da gestão anterior, bem como a continuidade de ações e programas sociais implementados. Não se viu na lista nenhum acordo quanto à nomeação de pessoas ligadas ao ex-prefeito.
  • - Aos que me perguntam a razão de Marquinhos manter na sua gestão vários quadros políticos e técnicos ligados ao ex-alcaide, respondo como mantra: a melhor pessoa para responder sobre esta questão é o próprio prefeito. Basta perguntar.
  • - E quando me pedem uma opinião a este respeito, digo o seguinte: a afinidade de métodos, práticas, comportamentos e concepções em uma equipe é fundamental para o seu sucesso. Qualquer nota dissonante que desafine o conjunto da obra deve ser imediatamente suprimida para que a harmonia prevaleça. Caso contrário, o Maestro perde o controle sobre a orquestra.
  • - Corre um vídeo de um cidadão ameaçando de morte o prefeito por causa dos buracos nas ruas. Uns dizem que o vídeo foi gravado em novembro do ano passado; outros afirmam que o vídeo é atual. Isso não importa. O caso não é de polícia, nem de política. Isso é coisa de educação ou falta dela. Explico: o filho de cinco anos do ameaçador estava presente e viu o pai praticando o crime. Não me parece ser este um bom exemplo para um ser em formação. Se copiar o exemplo do pai, pode vir a ser um homem raivoso que, diante dos problemas, vai criar outros em vez de buscar uma solução como Homem de verdade.