quarta-feira, 29 de março de 2017

Você acredita no Poder?

Não diria cruel, porque minha visão do Poder foi descolorida há muito tempo. O Poder é e ponto final: sem adjetivo, vazio de atributos, apenas um ente.

Há momentos, porém, que a sua “ontologia” resvala para o cômico, quando não tangencia o ridículo. Tudo porque, embora camaleônico nas suas manifestações, o Poder é absolutamente previsível.

Qual é o odor do Poder? Depende do dia em que ele se manifesta, pois há segundas-feiras perfumadas e domingos fedorentos que se alternam na atração e repulsão daquilo que oferece ou deixa de oferecer.

Já viram o Poder quando ele é uma singela expectativa? Sedutor, convidativo, atraente, adrenalínico, agregador, simpático e animado.

Já viram o Poder quando ele é presente realidade? Forte, arrogante, pleno, sisudo, solene, amnésico e encapsulado.

Já viram o Poder quando ele está moribundo? Ansioso, angustiado, ressentido, amargo, deprimido, cinzento e frágil.

Ah, o Poder! Cheio de escaramuças e dissimulações em busca da sobrevivência. Quanto mais se alimenta de vaidade, mais faminto fica de vontade.

Até quando?

Sem ilusões, caros leitores, o Poder é e ponto final. Independe de quem o ocupa, de quem o exerce, de quem foi, é e será. O Poder é.

Observem os velórios...

Os velórios são a radiografia do Poder. Minto: pet scan do Poder. Fotografa as células do Poder e detecta todas as suas anomalias.

A tristeza do Poder é a sua mais absoluta certeza. Além da solidão, é claro.

Uma vida autenticamente justificada pelo sentido da verdade nos valores da amizade e do amor. É o que procura? Então, fuja do Poder enquanto é tempo.

Quantos amigos o atual governador têm? Hoje, milhares.

Quantos amigos visitam Pedro Pedrossian e Wilson Barbosa Martins? Hoje, menos que o número de dedos da mão.

Ah, o Poder!

No dia que eu morrer, quero ser velado como o Dr. João Pereira, que quando foi presidente da Câmara Municipal por 4 anos, vereador e secretário de justiça era cortejado, visitado e adulado por dezenas de milhares de “amigos”, mas no seu descanso, estava rodeado pelos verdadeiros... não eram muitos, mas verdadeiros!

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