sexta-feira, 17 de março de 2017

Em que time você joga quando se manifesta na rede ?

Que vivemos tempos de pressa e angústia, todos sabemos.

Que este tempo torna as pessoas impacientes e radicais, também sabemos.

Mas o que até então não havia sido detectado pelo radar da nossa análise é que a força quantitativa da ignorância está levando vantagem sobre a inteligência.

Basta uns minutos de navegação pelas mídias sociais (termo civilizado para conceituar a barafunda de informação, fofoca e xingamento na selva da internet) para sentir o pulso fraco, quase moribundo, da racionalidade.

Uma atriz postou uma foto com seu namorado. Ela tem 44 anos; ele, 22. Foi o que bastou para ser massacrada pelos seus “seguidores”. Foi xingada, cuspida, chutada, esfaqueada e quase morta verbalmente por seus “fãs”...

Morreu a esposa de um ex-Presidente. Pronto: urros, berros, uivos e gritos histéricos festejando o sofrimento com piadas, chistes e outras manifestações de deboche do luto.

Um atleta condenado por homicídio cumpriu parte da pena de acordo com a lei. Obteve na justiça o direito à liberdade sob restrições. Tentando ressocializar-se através do trabalho, aceitou o convite para voltar a exercer a sua profissão.

No ato, hordas fanáticas de justiceiros e vingadores se levantam clamando pela volta da prisão perpétua, do desterro, do banimento, da tortura, da pena de morte.

Ah! E quando alguém comete a imprudência de estampar uma foto com um semblante feliz ou uma simples mensagem de que está contente consigo mesmo, sentindo-se realizado na vida? Sentença de morte: “como ousa estar feliz com a fome na África, seu palerma”... “que sorriso idiota é este com tanta corrupção no país?”... “ah, que vergonha esta boca sorridente em plena crise econômica!” ... Em vinte minutos, post apagado... e a alegria de quem postou, também...

No jogo discursivo das manifestações na rede, o time do ressentimento está goleando. Os ressentidos não querem ser felizes, mas destruir a alegria dos outros. Gastam o tempo da vida, pensando na vida dos outros e por isso “desvivem”. Não buscam sentido para si, porque se anulam gozando as dores alheias. Não criam algo que valha a pena recordar com saudade, porque quando morrem, aliviam os que ficam e são lembrados como dignos de piedade.

Enquanto a luz racional da inteligência continuar acomodada em sua redoma intelectual, a imbecilidade fanática dos odiosos só tende a crescer.

É hora de ação. É hora de combater o ódio com a razão. É hora de desmoralizar o radicalismo com a força argumentativa da lucidez. É hora de revelar as palavras do equilíbrio. É hora de não ter medo da cara feia da mentira. É hora de desmascarar o interesse travestido de informação. É hora de luta pelos valores que nos fizeram parte de uma civilização. É hora de defender as emoções positivas para que ninguém seja punido, xingado e agredido pelo fato de estar feliz.

Um comentário:

Anônimo disse...

Está difícil mesmo. A palavra crise todos os dias, preços de bens e serviços subindo... Aumenta o estresse das pessoas... Uma pequena minoria carregada nos ombros da maioria prega a paz o tempo todo não por querer a paz para todos, mas essas minoria quer manter a sua paz enquanto a maioria é Escravizada... E ainda pregam: sorria, seja civilizado, não se revolte! Só não dizem que não devemos nos revoltar porque está bom Para essa Minoria do jeito que está... É fácil ter tudo a vida toda com esforço comum a todos e se recusar a revolta dá massa que batalha não para conquistar também, mas para manter uma minoria consumidora de impostos que não se cansa de dizer: conforme se com o seu destino de me carregar nas costas!!!