quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Escrever? Sim, mas sobre o quê?

Duas semanas sem escrever e alguns generosos leitores me interpelam cobrando explicações.

Mas escrever sobre o quê?

Sobre o vídeo bomba em que secretários ou ex-secretários do governo estadual teriam sido flagrados cobrando propinas? Não vale a pena incomodar os leitores com isso.

Sobre a nova modalidade discursiva do governo Reinaldo acusando a Petrobrás de “sacana” para justificar a sua gestão “eólica”? Chatíssimo o tema.

Sobre a reforma da previdência propagandeada como se fosse a redenção nacional tendo à frente os “vivas ufanistas” de Marun? Não cometeria essa indelicadeza com quem perde tempo em me ler.

Sobre os trancos que Donald Trump sofreu do Judiciário americano nos primeiros trinta dias de espetáculo, também me parece um assunto entediante.

Sobre a paixão esquizofrênica de Marquinhos pela microfísica do poder ao atender diariamente quase trezentas pessoas, não acho que valha a pena dissertar.

Sobre os efeitos do tamarindo no combate ao fígado gordo, certamente me internariam.Sobre o assassinato do irmão do líder da Coréia do Norte, seria apenas um artigo a mais e “sem noção”.

Sobre a sabatina na CCJ do Senado com resultado pré-definido de Alexandre Moraes na véspera de carnaval, com razão os que me xingassem de babaca.

Sobre a crise econômica do país, não conseguiria terminar o primeiro parágrafo.Sobre o que então devo escrever?

Tudo tão entediante, chato, repetitivo neste intercâmbio inflacionado de mensagens, posts, zaps, e-mail, sms, Skype, insta, face e outras nauseabundas formas de vida.

Uma ideia que me pareceu sensata:  Afagar a minha vira-lata "Pituka", talvez assim ela me convença a crer que a inspiração pode surgir até mesmo quando não se tem nada a dizer.


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