segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

Número de Policiais Militares em Campo Grande é 4 vezes menor que o recomendado pela ONU

Enquanto roubos explodem, dados da SEJUSP mostram que Campo Grande possui número médio de um policial militar para cada 1.079 habitantes; o estado do MS tem o menor efetivo da região Centro-Oeste.
Na média, a capital tem um policial militar apenas para
uma área correspondente ao tamanho de bairros como
a região central (Foto: Fernando Antunes/Arquivo)

O contingente de policiais militares atualmente lotados nos batalhões responsáveis pela segurança ostensiva em Campo Grande é quatro vezes menor que o recomendado pela Organização das Nações Unidas às grandes cidades e capitais.

Dados obtidos via Lei de Acesso à Informação apontam que o Comando de Policiamento Metropolitano (CPM) tem atualmente um efetivo de 801 policiais militares. Ou seja, uma média de um PM para cada 1.079 habitantes. A recomendação da ONU é que haja um agente de segurança ostensivo para cada 250 moradores.

Com menos policiais militares à disposição, a área de atuação é grande. Contando apenas o perímetro considerado urbano, a capital sul-mato-grossense conta com uma média de um agente para cada 192,8 quilômetros quadrados.

Para se ter uma idéia do déficit de patrulhamento, a área média é proporcionalmente maior que a de bairros importantes da cidade, como a região central, Vila Piratininga e Tiradentes. Ou seja, diversas regiões da capital contam com o equivalente a um Policial Militar disponível para fazer o patrulhamento.

Na média, a capital tem um policial militar apenas para uma
área correspondente ao tamanho de bairros como a
região central (Foto: Fernando Antunes/Arquivo)
Sem policiamento compatível, o crime subiu na capital. As delegacias de Campo Grande encerraram 2016 com 7.439 casos de roubo registrados, segundo dados da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), número maior que os 6.657 crimes do tipo registrados ao todo no ano anterior.

Para efeito de comparação, apesar de ter o maior número de habitantes do Estado, população que corresponde a 33% do total de moradores de Mato Grosso do Sul, Campo Grande conta com apenas 14,1% de todo o efetivo da Polícia Militar, que é de 5.690.

Outros 621 policiais militares são alocados nos chamados batalhões especiais, como o CHOQUE, CANIL e Centrais de Inteligência, que não atuam especificamente na capital. Alguns deles, inclusive, possuem sedes no interior.

Estadual – O número de policiais militares por habitante é abaixo da média da ONU não só na capital, mas em todo o Estado. Ao todo, o efetivo atual dá uma média proporcional de um agente para cada 461 sul-mato-grossenses.

Mato Grosso do Sul tem o menor efetivo da Polícia Militar da região Centro-Oeste, segundo dados do Ministério da Justiça e Cidadania que mostram Mato Grosso com quase 6 mil agentes e Goiás com cerca de 13 mil Policiais Militares.

O Estado tem no total o oitavo menor contingente da Policia Militar no País, segundo o ministério. Amapá, Acre, Roraima, Rondônia, Tocantins, Sergipe e Piauí

Solução – Manifesto publicado no final de 2015 pela ACS (Associação dos Cabos e Soldados da Polícia Militar e Bombeiro Militar de Mato Grosso do Sul) pediu à Sejusp o aumento do efetivo para 9 mil policiais.

“É uma briga de décadas”, disse Edmar Soares da Silva, presidente do órgão. Segundo ele, a alta demanda de trabalho prejudica a Corporação, com problemas de escala ampliada e menor atuação nas ruas. “O policial se sente impotente de não poder realizar o trabalho de proteção da sociedade como deveria. É a maior preocupação dele.”

Em nota, a SEJUSP disse que pretende aumentar o efetivo da Policia Militar, especificamente na capital. O texto disse que desde o início da gestão do governador Reinaldo Azambuja (PSDB), em 2015, 937 novos homens foram incorporados à tropa. Há planos para realização de um novo concurso neste ano para a contratação de até 1.000 novos policiais, segundo a ACS.

A Secretaria Nacional da Segurança Pública, órgão vinculado ao Ministério da Justiça e Cidadania, disse que apesar da recomendação da ONU cada estado é livre para decidir o contingente de suas polícias militares de acordo com legislação estadual própria, sem número mínimo obrigatório de agentes.

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