sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Grupo de paraguaios com 70 crianças dorme na rua após confusão em São Paulo

Um grupo de paraguaios composto por 130 pessoas, entre elas 70 crianças de 11 a 14 anos, viajou para Mongaguá, no litoral de São Paulo, na última quarta-feira (25), para participar de um campeonato de futebol. Eles ficariam hospedados em uma escola, mas, ao chegarem, foram levados ao ginásio municipal Arturzão, no bairro Agenor de Campos. As más condições do lugar irritaram os estrangeiros, que chegaram a dormir na rua.

A primeira noite na cidade não foi como eles imaginaram. Por conta do forte calor, todos dormiram do lado de fora do ginásio. Para agravar a situação, falta água no local. A dona de casa Celeste Martins, mãe de um dos atletas, afirmou que o presidente da Federação Paraguaia da Escolinha de Futebol, Celso Rodrigues Cavello, ofereceu um contrato aos jogadores que garantia uma estrutura muito melhor que a apresentada.

Grupo de paraguaios com 70 crianças teve de dormir
na rua em Mongaguá (Foto: Reprodução/TV Tribuna)
“Ele prometeu estadia na escola municipal, colchão, café da manhã, almoço e jantar. Ele prometeu tudo lá. A gente chegou aqui e viu outro panorama. Ninguém quer ficar nessas condições. A gente quer voltar ao Paraguai”, disse Celeste.

Em sua defesa, Celso comentou que a responsabilidade da estadia dos paraguaios na região era da prefeitura. “São convites da prefeitura. Convidam e pagam a inscrição (no campeonato) e a alimentação. Prometeram uma escola e houve um problema. Entramos no ginásio quando saiu o sol. Estava um calor tremendo e a água foi cortada”, comentou.

O secretário de Esportes de Mongaguá, Cid Ney Isidoro Leite, garante que a organização não é da prefeitura, e sim da Planeta Revelação, empresa que organiza campeonatos nacionais e internacionais.

“O que eles nos pediram foi um espaço para alocar esse pessoal que viria participar desse torneio. Nós identificamos a empresa, levantamos a documentação, que está correta. Temos a cópia dos documentos. O torneio terminaria uma semana antes do início das aulas. Se acontecesse alguma avaria nesse período, não daria tempo de arrumar. Por isso, o prefeito ficou com receio e suspendeu as escolas como alojamento”, falou Cid Ney, que garantiu que as providências já estão sendo tomadas.

Paraguaios foram levados para o ginásio Arturzão,
em Mongaguá (Foto: Reprodução/TV Tribuna
“Ontem (quarta-feira), por volta das 14h, a gente já estava providenciando para arrumar a situação em que se encontram. Eles alegaram que estão com problema de água. Contatamos a Sabesp para poder resolver. Estamos procurando um local para poder transferir parte do grupo e diminuir o problema. Temos uma ETEC que também tem um ginásio de esportes, de menor proporção. Se pudermos dividir, creio que o problema diminua”, concluiu.

Já de acordo com o empresário e organizador da competição, Carlos Alberto Leal, a culpa da confusão é do presidente da Federação. “Eu acho que ele superlotou, ou não fez os cálculos direito. Ele sabia o local em que iria ficar, não foi enganado em momento algum, sabia que era um ginásio de esportes. Na verdade, ele trouxe um turismo para cá. Então, os pais estão cobrando dele. Nossa cobertura é para as crianças, não para a família”.

Ainda segundo o Leal, uma casa foi alugada para algumas famílias, e o problema da falta de água já foi resolvido pela prefeitura. Os paraguaios devem continuar em Mongaguá até domingo (29), quando termina o torneio de futebol.

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