quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Apresentadora diz que "índio original" tem que morrer no parto ou de malária

Para criticar samba da Imperatriz Leopoldinense, jornalista diz que indígenas não podem ter tecnologia, carros, ‘comer de geladeira’ e usar remédios.

A jornalista Fabélia Oliveira, apresentadora do programa “Sucesso do Campo", exibido pela Rede Goiás, afiliada da TV Record no Estado, atacou os índios da região ao criticar no último domingo o samba-enredo da escola carioca Imperatriz Leopoldinense que trata dos problemas enfrentados pelos indígenas do Xingu.

O samba, intitulado “Xingu, O Clamor que Vem da Floresta”, critica o agronegócio e a usina hidrelétrica de Belo Monte. Ela disse que os compositores “mancharam a sua história e lê um trecho da música – “andar onde ninguém andou / chegar onde ninguém chegou / lembrar a coragem e o amor dos irmãos e outros heróis guardiões / aventuras de fé e paixão / o sonho de integrar uma nação” – e afirma: “Os versos estariam perfeitos para descrever o homem do campo, o pecuarista, não para descrever os índios”.

Ela cita cada um dos compositores – Moisés Santiago, Adriano Ganso, Jorge do Finge e Aldir Senna – e diz que o “malandro carioca”, com sua cultura urbana, não tem condição de entender a questão do campo e dos índios. “Que conhecimento o tradicional malandro carioca tem para falar do homem do campo, para falar do índio, da floresta, para dizer que está certo ou errado e para dizer que alguém pede socorro”.

Segundo ela, os compositores afirmam que os índios estão pedindo socorro sem conhecer a realidade. “Eles (sambistas) falam que a floresta está pedindo socorro, mas (os índios) não abrem mão da tecnologia do dia a dia, eles não abrem mão do veículo que eles andam”, disse. “”Ah, mas o Xingu está pedindo socorro, por quê? Alguém foi lá? Alguma coisa contra os índios? Não. Eles (índios) querem preservar a cultura e estão corretos, sou a favor dessa preservação se for o índio original, agora deixar a mata preservada para comer comida de geladeira não é cultura indígena, não”, continuou.

A jornalista defendeu que, se os índios querem preservar a cultura, devem abrir mão de tecnologia, dos veículos que usam, de remédios e da geladeira. “A minha opinião pode chocar muitos brasileiros. Eu sinto muito. Se ele (índio) quer preservar a cultura, não pode ter acesso à tecnologia que nós temos. Ele não pode comer de geladeira, tomar banho de chuveiro e tomar remédios químicos. Porque há um controle populacional natural. Ele vai ter que morrer de malária, de tétano, do parto. É a natureza. Se quer lá, ele vai comer, ele vai tratar da medicina do pajé, do cacique, que eles tinham antigamente, aí justifica”.

Além de criticar a aculturação dos índios, ela defendeu os agricultores, a quem chamou de “heróis”. “Já passei em aldeias indígenas que tivemos que pagar o maior pedágio, que era cinco vezes superior ao tradicional e com estradas horríveis, e estava lá o índio de óculos de sol ray-ban, aparelho nos dentes, antena parabólica e caminhonete. Isso não é heroísmo, heroísmo é o produtor que trabalha sol a sol dia a dia”.

A Rede Goiás não se pronunciou sobre o caso, pois o programa é terceirizado e “as opiniões são de responsabilidade dos idealizadores”

Veja o trecho do programa em que a apresentadora trata sobre o tema:

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