terça-feira, 27 de dezembro de 2016

Policiais Federais foram presos por suspeita de enviar bomba a advogado em Goiás

Os dois agentes aposentados da Policia Federal, Ovídio e Valdinho Rodrigues Chaveiro, que são irmãos foram presos pela Polícia Civil de Goiás, nesta terça-feira (27), eles são suspeitos de enviar um pacote com uma bomba para o advogado Walmir Oliveira da Cunha, de 37 anos, em Goiânia, em julho deste ano. Segundo a Polícia Civil, além dos dois mandados de prisão temporária contra eles, também foram cumpridos sete de busca e apreensão e três de condução coercitiva.


De acordo com o delegado Valdemir Pereira da Silva, da Delegacia Estadual de Investigações Criminais (DEIC), a suspeita é que o crime tenha sido motivado por uma ação familiar ganha pelo advogado. "Neste momento a polícia está analisando todos os objetos apreendidos e posteriormente falará mais sobre os fatos. Queremos deixar claro que recebemos o apoio da Polícia Federal nesta ação e do Instituto de Criminalística", disse o delegado.

Além dos policiais detidos, um terceiro irmão deles também foi levado para a Delegacia por portar uma arma de fogo sem autorização.

As defesas dos suspeitos detidos ainda não foram localizadas para comentar o caso. Os jornalistas também tentaram contato com a assessoria de imprensa da Polícia Federal em Goiás, mas as ligações não foram atendidas até a publicação desta reportagem.

Policiais Federais foram presos suspeitos de mandar bomba para advogado (Foto: Murillo Velasco/G1)
O atentado aconteceu no último dia 15 de julho, quando o Walmir recebeu um pacote de uma bebida em seu escritório, mas o conteúdo explodiu assim que foi aberto. Um segurança que trabalhava em um estabelecimento próximo ao local socorreu o advogado. A vítima perdeu três dedos e quebrou o pé por causa da explosão.

A Superintendência Regional da Polícia Federal em Goiás informou em nota que a corporação “participou dos cumprimentos dos mandados de prisão”, “repudia o ato e reafirma seu comprometimento no combate à criminalidade em todas as suas vertentes, em respeito ao Estado Democrático de Direito”.

A nota diz ainda que “as ações conjuntas ratificam o compromisso de colaboração entre as forças de seguranças no Estado de Goiás no combate à criminalidade”.
Walmir Cunha também divulgou nota agradecendo à Polícia Civil por ter identificado os suspeitos do atentado. No texto, ele firma que espera que o “terrível fato” ocorrido com ele “sirva para se levantar um amplo e debate sobre as leis que tratam da segurança dos profissionais do direito no exercício de sua profissão”.

Em nota, ele afirma que o “atentado contra advogados, juízes, promotores e outros membros integrantes do sistema judicial brasileiro é um atentado contra a dignidade da Justiça”.

“Após a tramitação com uma complexa ação judicial, obtive excito em favor de meu cliente. Mas lamentavelmente, a parte derrotada, ao não aceitar a legítima decisão judicial, cometeu um crime hediondo para promover uma retaliação contra minha vida e minha atividade profissional, que foi exercida rigorosamente dentro da lei e segundo todos os preceitos éticos que regem a advocacia no Brasil”, disse no texto.

De acordo com o presidente da Comissão de Direitos Prerrogativos da OAB-GO, Erlon Fernandes Cândido de Oliveira, a instituição ainda não tem conhecimento sobre o teor da ação judicial que teria motivado o atentado.

“O objeto desta ação judicial nós não sabemos informar qual foi. O papel da Ordem é acompanhar para que o crime não fique sem resolução, a partir do momento em que for definida a autoria, a Ordem continuará atuando na acusação. A partir do momento em que um advogado é violentado no exercício profissional, a administração da Justiça é ameaçada”, disse.

Advogado Walmir Oliveira da Cunha perdeu três dedos em atentado, em Goiás (Foto: Sílvio Túlio/G1)
Investigação
Câmeras de segurança flagraram a movimentação de um homem que entregou o pacote para um motoboy, que o levou até o advogado. Segundo o delegado, o motoboy não tinha consciência do atentado e foi por meio do depoimento dele que a corporação chegou até o local e às imagens.

“O motoboy é inocente. Cabe dizer que a pessoa que entregou esta bomba ao motociclista usou de vários disfarces, colocou propositadamente uma tala no braço direito. Tudo indica que ele colocou isso para disfarce. Em outros momentos, quando ele percebia a câmera de vigilância ele abaixava a cabeça”, disse.

Silva já havia informado sobre a suspeita de que um policial estivesse envolvido no atentado. “Pelo estágio da investigação, percebe-se que o crime foi muito bem planejado, praticado por um profissional, e tudo indica que há um policial envolvido nesta trama criminosa”, afirmou.

O delegado ressaltou o alto poder de destruição da bomba enviada ao advogado. “A intenção da pessoa que encaminhou o artefato explosivo era matar o advogado. Esta bomba tinha poder para isso, só não o matou porque o advogado, ao ouvir o barulho, ele tirou a bomba de perto do seu peito, e foi nesse momento, em que ela estava distante, é que houve a explosão”, revelou.

Os responsáveis pelo atentado devem responder por tentativa de homicídio qualificado, por crime de explosão e também por crime de dano contra o escritório do advogado, que ficou destruído.

G1

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